Numa planície recôndita do pensamento, disse aos que me rodeavam: orgulho-me de haver despertado e arranco de mim toda moral que teme a vida. A ética do rebanho sucumbe à décadence que este tempo celebra sob o véu da ignorância e dos seus descalabros.
Assim, em verdade vos digo: minhas convicções tomam corpo em minhas escolhas. Há, contudo, os de coração dócil, que se cobrem de intenções genuínas, mas arrastam consigo os velhos grilhões da moral e da ideologia. Repetem, geração após geração, os mesmos erros; anunciam, com vozes cansadas, uma salvação que jamais veio e adornam-se com heroísmos emprestados pela moral judaico-cristã. Vede, porém: tudo isso possui um só nome — décadence.
Editoria de Arte do WAAntes mesmo da aurora, já são cegos. Protegem-se da vida tal como ela é e abraçam, com ressentimento, a própria servidão. Erguem escudos e elmos contra aquilo que jamais poderá ser vencido: seus próprios impulsos. Enquanto guerreiam contra a natureza que pulsa em si, a mentira veste as roupas da verdade, e o engodo encontra abrigo entre aqueles que temem abandonar as velhas certezas. Assim perseguem os que ousam libertar-se da décadence e chamam virtude ao próprio medo.
E por tais palavras, amigo, insisto em ti! Renuncia à tua covardia e ao mal que espalhaste entre os homens. Segue o caminho dos renegados e afasta-te do niilismo destas terras. Refugia-te nas cavernas do mundo, sobe às mais altas montanhas e permanece em silêncio até que teu espírito aprenda novamente a rir daquilo que hoje teme. Regressa somente quando fores leve o bastante para caminhar sem correntes.
Assim falou Embroda.
.png)