Uma prática costumeira que, talvez, remonte aos primórdios da política, em especial à de muitos interiores pelo Brasil, a gafe cometida por artistas e gestores de anunciar nomes de políticos, em uma ação explicitamente politiqueira, tem permanecido nos palcos de eventos públicos país afora.

Mas, afinal, é permitido? É crime? É mesmo uma gafe?

Não, não é crime. A menos que esteja em período eleitoral e a publicidade governamental conste nomes, fotos ou símbolos que constitua promoção pessoal do político em questão.

É gafe? Sim, eu diria que uma das mais ególatras e antiéticas, inclusive. Se entendermos gafe como atitude involuntária (ou não) e até mesmo impensada, indiscreta e desastrosa, vamos chegar à conclusão de que não convém este tipo de prática inadvertida em público. Ou seja, não é aconselhável utilizar eventos públicos para autopromoções direcionadas a cargos.

O mérito dos responsáveis pela festa deve ser reconhecido publicamente? Sim, inquestionavelmente. Mas o mérito do reconhecimento deve ficar com a organização, a cargo dos órgãos públicos, e não depositado individualmente em figuras públicas, como prefeitos e deputados ─ ou mesmo o presidente. Neste caso, o melhor a se fazer é, durante os intervalos das apresentações, quando os artistas se revezam no palco, anunciar a prefeitura, secretarias envolvidas, outras entidades e, se o caso for, a Câmara por algum apoio à festa. Isso já é mais que o suficiente.

Ademais, é desnecessário mencionar o nome do prefeito, embora seja ele o maior responsável pelo evento. Não convém evocar a cláusula da pessoalidade neste momento. Por sua vez, os artistas, com a intenção de estreitar laços, apelam aos mais diferentes adjetivos, no intuito de qualificar, em um discurso bajulatório e infinito; isto é, quando quem está no palco de posse de um microfone não apela a um diálogo íntimo com membros do governo. Uma cena constrangedora que pode ser evitada.

Se o gestor municipal desejar se pronunciar, ele deverá ser breve, de preferência se manifestar na abertura dos festejos. Nada o impede de subir ao palco para fazer uma declaração sucinta, direcionada ao público, entre uma apresentação e outra, em referência exclusiva ao evento.

Anunciar nomes de prováveis candidatos a cargos político-partidários também não pega nada bem para a imagem da gestão municipal. O evento não pode ser palco de propaganda política. E não me refiro ao período eleitoral, mas a qualquer época do ano. Não é de bom tom e ponto. O costume não é de hoje, mas deve ser evitado. Gostemos ou não, protocolo é protocolo, e segui-lo faz todo o sentido.